Quadrinhos – Os Mortos-Vivos: Os Dias Passados

24, Novembro, 2006

3estrelas(autores: Robert Kirkman (roteiro), Tony Moore (desenhos) – 144 páginas)

mortos_vivos1

Novo trabalho lançado aqui no Brasil de Robert Kirkman (autor da série Invencível), Os Mortos-Vivos é uma das séries mais aclamadas nos Estados Unidos no momento.Terminei encontrando seu primeiro volume na excelente Livraria Cultura de São Paulo, e comprei no ato.

A premissa é muito boa: como o próprio Kirkman explica na introdução, ele pega o tema “zumbis” para desconstruir nós, os seres humanos, nos levando ao mais básico de nossos instintos… como nos bons filmes de zumbis, exemplo Madrugada dos Mortos. E ele avisa também que levará isso ao extremo, até onde os filmes não conseguem chegar. Devidamente preparado, você começa a ler a revista empolgadíssimo.

Primeiro os prós: o trabalho gráfico da revista é excelente. É um grande acerto em não haver cores, apenas tons de cinza… o clima fica perfeito. O traço de Tony Moore também não poderia ser mais adequado… parece que nasceu para fazer esta revista. E no roteiro Kirkman cumpre com sua promessa: os zumbis são totalmente secundários, o que estamos lendo aqui é sobre nós, sobre nossa sociedade, e sobre os conceitos da vida moderna. Muita coisa boa sai daí.

Mas, infelizmente, Kirkman não consegue equilibrar bem os elementos da história. Uma hora vem a ação, e depois muito diálogo… muito mesmo. Aí derrepente, tchan! Um pouco de Zumbis. E aí volta pro diálogo arrastado. O suspense, que era pra ser um dos pontos fortes, termina ficando comprometido dessa maneira. Kirman também tenta encaixar pequenas morais em pequenos diálogos, que no geral às vezes soam desnecessárias. E creio também que o autor poderia ter recorrido menos às referências dos filmes de zumbis e tentado bolar pelo menos algumas novidades… o ínicio, por exemplo, é uma cópia exata do filme Extermínio.

O grande final, ao menos, garante o “ingresso” e o saldo positivo.

Cansado da mesmice? Vá fundo!

PS: O segundo volume, Os Mortos-Vivos: Os Caminhos Trilhados, também já foi lançado aqui no Brasil.


Cinema – Volver

12, Novembro, 2006

4estrelas(Volver, 2006, Espanha – direção: Pedro Almodóvar – duração: 121 minutos)

volver

Fazia tempo que não ia em um filme logo no dia de sua estréia.
O novo filme do Almodóvar, Volver, foi o responsável da vez.

Almodóvar é do tipo cinesta-estrela. Você pode não saber nada do filme, apenas por ser o “novo filme do Almodóvar”, já é slogan o suficiente para levar milhares de pessoas ao cinema. E não é por menos: o slogan normalmente é garantia de bom filme. A única vez que o slogan “filme de Almodóvar” não funcionou comigo foi em Má Educação, um filme bom, mas forçadamente pesado, em que Almodóvar trocou a emoção pela autobiografia e bizarrice… mas bem, a resenha não é de Má Educação, mas de Volver, este sim um grande filme.

Volver, mesmo com um roteiro único e muito bem elaborado, é um filme simples. Uma comédia tragicômica sobre mulheres, e sobre família.

Raimunda (Penélope Cruz) é uma jovem mãe trabalhadora, que se desdobra para cuidar de sua filha e do marido desempregado. Possui uma irmã chamada Sole (Lola Dueñas) e uma tia senil chamada Paula. Órfãs, as duas irmãs são muito apegadas à tia, até o dia que ela bate as botas. Sole liga para Raimunda dando a notícia e a chamando para o enterro, mas a jovem mãe já têm problemas suficientes no dia… é melhor não entrar mais em detalhes.

Reunindo as melhores atrizes espanholas do momento, Almodóvar elabora uma trama perfeita, que nos mostra muita coisa. Mostra como os homens – tirando eu, os maravilhosos leitores deste blog, e os namorados, parentes e amigos das leitoras (acho que livrei todo mundo hehe) – são superficiais e descartáveis. Mostra como a família sempre é importante na vida de cada um, principalmente quando ela começa a sumir. E não fica só nisso… tire suas próprias conclusões e veja o quanto pode absorver do filme, acho que isso vai variar de pessoa a pessoa.

Fora isso, todos os bordões “Almodóvar” estão lá: a sentada na privada, o momento musical, a engraçada sujeira humana. E nesse ele acrescenta um novo: os neuróticos beijinhos de comprimento que as mulheres dão no filme. Smacksmacksmacksmacksmack!

Novamente, digo: um grande filme, mas não sei, ainda fico com Fale Com Ela e Tudo Sobre Minha Mãe. Bem, se ler alguma crítica “5 estrelas” por aí… assino embaixo.