Música – Panic! At The Disco – A Fever You Can´t Sweat Out

30, Outubro, 2006

4estrelas(Decaydance, 13 faixas)

panic

Breve introdução:
No início dos anos 90, surgiu nos Estados Unidos uma nova cria do punk: captando elementos de canções mais progressivas, com levadas arrastadas, letras mais depressivas e vocais melódicos, surgiu o tal Emo, um punk rock mais “emocional”. Ele surgiu com excelentes bandas como Sunny Day Real State e The Get Up Kids, e foi conquistando um grande número de fãs. O espírito das músicas foi ganhando espaço, e começaram a surgir crias do próprio emo: a emoção passou a ser tanta que não era suficiente só cantar, tinha que gritar. Surgiu então o Screamo, com algumas bandas ainda decentes como The Used e Finch, e outras nem tanto. Depois disso, o emo cresceu mais ainda, e passou a ser estilo de vida entre os jovens: os adeptos passaram a fazer carinha de triste, usar cabelinhos escorridos e andar de preto, mas com coraçõezinhos tatuados. E aí a coisa desandou de vez: o emo ficou “pop”, e tudo passou a ser “emo”. Surgiram Good Charlotte e Simple Plan. CPM22 passou a ser considerado emo… e até B5 virou emo! O tal emo passou a ser adorado por poucos e ridicularizado por muitos.

Agora, voltemos para a banda da resenha: Panic! At The Disco é a banda considerada “emo” da vez. Odiados por muitos por causa do rótulo, os caras de cabelinho escorrido ainda assim estão no topo das paradas americanas. Após receber elogios da crítica especializada, fui tirar minha própria conclusão e ouvir o som dos caras para ver, como diria meu pai, “se presta”.

Aí tive uma surpresa… e posso dizer, relativamente boa!

Primeiro: não encontramos quase nada do emo descrito em nossa breve introdução. Não temos gritos. Não temos letras “deprês”. Não temos uma baladinha sequer!
Segundo: o que encontramos é uma original mistura de elementos punk, pop e techno, sim techno! Além de violinos, metais, e teclados bem anos 80. Músicas com nomes enoooormes, e um encarte bem retrô. Entendeu? Imagino que não muito… mas vale a pena ouvir o Panic, pode ser para odiá-lo ou não, mas no mínimo conhecer algo diferente.

Fiquei particularmente viciado em algumas músicas, como na faixa The Only Difference Betwen Martyrdom(…), Nails For Breakfast(…) e Camisado… além dos bons hits I write Sins Not Tragedies e But It´s Better If You Do. O resto do CD também é muito bom: músicas dançantes, algumas estilo “cabaré”, outras mais “punk rock”, algumas simplesmente diferentes. Um disco que, se agradar, vai da primeira a última faixa ser pular uminha.

Apesar de diferente, o Panic ainda soa consideravelmente prematuro: as letras são na maioria bobas e infantis, o instrumental básico (guitarra/baixo/bateria) soa realmente básico, apenas o vocal de Brandon se destaca. Outro pequeno ponto negativo: o CD, que se diz ter 13 faixas, possui só 11: as faixas Introduction e Intermission de nada valem.

Imagino que, se a banda continuar tentando novos rumos e evoluir musicalmente, podemos ter algo bem bacana no futuro.

PS: Este post está sendo atacado por fãs de Simple Plan e Good Charlotte! hahuauh Peço desculpas e já retirei as pseudo-agressões. E sugiro que procurem algo das outras bandas citadas no post, tem muita coisa boa. Abraço a todos!


Cinema – Pequena Miss Sunshine

25, Outubro, 2006

4estrelas(Little Miss Sunshine, 2006, EUA – direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris – duração: 101 minutos)

sunshine

Depois de muito tempo ser ir ao cinema, retorno para ver a estréia da semana: o badalado Pequena Miss Sunshine.
Porquê do nome? “Little Miss Sunshine” é o nome do concurso de beleza que a pequena Olive, filha caçula de uma família no mínimo excêntrica, pretende concorrer. A tal família é constituída pelo pai Richard (Gred Kinnear, finalmente em um papel decente!), a mãe Sheryl (Toni Collete), seu irmão, o tio Frank (Steve Carrell, de “O Virgem de 40 Anos”), mais o avô doido e o filho adolescente Dwayne.
Já repleta de problemas o suficiente, Olive e sua família não encontram outra alternativa a não ser irem todos juntos para o tal concurso, em uma Kombi amarela enferrujada, em uma viagem de três dias.
Agora, faça o seguinte: lembre-se daquela tia mala, daquele avô senil que não fala coisa com coisa, do primo que não tem nada a ver contigo… você ficaria três dias seguidos com eles dentro de uma Kombi? Eu não!
Lembrando-se desta premissa, conseguimos nos colocar no lugar dos personagens do filme, e entende-los muito bem. Até porque existe um em cada faixa etária da vida. Não que os personagens sejam tão estereotipados, mas eles são bem reais. E é este realismo de seus personagens, doidos ou não, que transforma Pequena Miss Sunshine em uma comédia deliciosa.
As atuações são impecáveis, destaques para os atores mirins Abigail Breslin (Olive) e Paul Dano (Dwayne). O roteiro é muito bom, tudo corre certinho. E o desfecho é sensacional!
Infelizmente, o filme é “quase” perfeito: existem algumas situações forçadas, alguns diálogos clichês e alguns imprevistos previsíveis (essa foi boa). Mas nada que impeça você de se apaixonar e torcer pela pequena pançudinha Olive.
Quatro estrelas, e subindo!


Música – Audioslave – Revelations

24, Outubro, 2006

3estrelas (Sony-BMG, 12 faixas)

audioslaverevelations.jpg

Terceiro album de estúdio do Audioslave, Revelations mantém o nível do anterior, Out Of Exile. O que é bom, mas não chega a ser sensacional.
Não foi dessa vez que Chris Cornell, Tom Morello e sua trupe conseguiu algo tão fantástico quanto ao disco de estréia. Revelations carece um pouco de criatividade, parece um pouco burocrático. A qualidade do som continua incrível, senti uma melhora também nas letras… mas de músicas marcantes, ficamos só com Original Fire (realmente o grande destaque, muito empolgante!), Revelations e Nothing Left to Say But Goodbye. De resto, apenas músicas razoáveis.

Mas, mesmo que eles fizessem o pior CD do mundo, impossível dar uma nota abaixo de 3 estrelas enquanto Chris Cornell cantar.

Para ouvir: http://www.myspace.com/audioslave


Livros – Memória de Minhas Putas Tristes

11, Outubro, 2006

(autor: Gabriel García Márquez, 2004 – 132 páginas)

memoriasptristes.jpg

Não sou profundo conhecedor da obra de Gabriel García Márquez, e isto significa que não li Cem anos de Solidão. Mas, depois de algumas boas indicações de seu novo livro, me arrisquei a ler o Memória de Minhas Putas Tristes. E não me arrependi.
É um livro pequeno, apenas 132 páginas. O leitor ágil (o oposto ao meu ser) o terminaria em apenas uma manhã. Mas tamanho não é documento: o romance é rico, e muito bem escrito.
O romance, com uma boa pitada auto-biográfica, conta a história de um velho jornalista que, ao chegar no ano de seus noventa anos, resolve se dar de presente uma noite com uma virgem.O que seria um desafogo, se torna uma enorme paixão e uma nova motivação de viver.
Apesar do início um pouco enrolado com memórias meio vagas e confusas, a leitura do livro é muito boa, vai fácil. A rabugice de Márquez é maravilhosa… impossível não se identificar com o idoso escritor do livro. Márquez ainda não chegou aos 90 anos, mas parece já saber bem todos os sintomas que lhe aguardam. E, além do tema da idade avançada, e todos seus derivados, o autor domina bem o outro grande tema do livro, que é… o amor. O amor vivido e o não vivido, o amor platônico, a atração física, a paixão… está tudo lá.
Leitura mais que recomendada.
Agora, (gosto é gosto) que me perdoem Gabriel García Márquez, seus fãs e seu prêmio Nobel de Literatura. De lamentos derradeiros e romances semi-fictícios, o Velho Safado é imbatível… esse sim teve muito o que contar. Posted by Picasa